segunda-feira, 16 de abril de 2012

01.04. Pontos principais da Doutrina Espírita

01.04. Pontos principais da Doutrina Espírita



ESTUDO SISTEMATIZADO DA DOUTRINA ESPÍRITA
TOMO I - PROGRAMA FUNDAMENTAL- MÓDULO I - ROTEIRO 4

MÓDULO I: Introdução ao Estudo do Espiritismo
OBJETIVO GERAL: Propiciar conhecimentos gerais sobre a Doutrina Espírita
ROTEIRO 4: Pontos principais da Doutrina Espírita
OBJETIVO: Apresentar os pontos principais da Doutrina Espírita, de acordo com o resumo existente na Introdução de O Livro dos Espíritos.

CONTEÚDO BÁSICO
Allan Kardec, no item VI da Introdução de O Livro dos Espíritos resume os pontos principais da Doutrina Espírita. Dentre esses pontos (princípios), destacam-se:
1.    A existência de Deus, como criador do Universo.
2.    O mundo espírita habitado pelos Espíritos desencarnados.
3.    A encarnação e reencarnação dos Espíritos na Terra e em outros mundos.
4.    O melhoramento progressivo dos Espíritos, que passam pelos diversos graus da hierarquia espírita até atingirem a perfeição moral.
5.    A relação constante dos Espíritos desencarnados com os homens (Espíritos encarnados).
6.    A existência do perispírito, envoltório semimaterial do Espírito.
7.    Os ensinos morais dos Espíritos Superiores, que podem ser sintetizados, como os do Cristo, na máxima evangélica fazer aos outros os que desejaríamos que os outros nos fizessem.

SUBSÍDIOS
Allan Kardec, na Introdução de O Livro dos Espíritos, item VI, trata dos pontos principais dos ensinos transmitidos pelos Espíritos Superiores. Ressalta, primeiramente, que (...) os próprios seres que se comunicam se designam a si mesmos pelo nome de espíritos ou gênios, declarando, alguns, pelo menos, terem pertencido a homens que viveram na Terra. Eles compõem o mundo espiritual, como nós constituímos o mundo corporal durante a vida terrena. (1)
Passa, em seguida, a resumir esses pontos principais:
·         Deus é eterno, imutável, imaterial, único, onipotente, soberanamente justo e bom. Criou o Universo, que abrange todos os seres animados e inanimados, materiais e imateriais. Os seres materiais constituem o mundo visível ou corpóreo, e os seres imateriais, o mundo invisível ou espírita, isto é, dos Espíritos.
·         O mundo espírita é o mundo normal, primitivo, eterno, preexistente e sobrevivente a tudo. O mundo corporal é secundário; poderia deixar de existir, ou não ter jamais existido, sem que por isso se alterasse a essência do mundo espírita.
·         Os Espíritos revestem temporariamente um invólucro material perecível, cuja destruição pela morte Ihes restitui a liberdade. Entre as diferentes espécies de seres corpóreos, Deus escolheu a espécie humana para a encarnação dos Espíritos (...). (1) A alma é um Espírito encarnado, sendo o corpo apenas o seu envoltório.
·         Há no homem três coisas:
1.     O CORPO ou ser material análogo aos animais e animado pelo mesmo princípio vital.
2.    A ALMA ou ser imaterial, Espírito encarnado no corpo.
3.    O LAÇO que prende a alma ao corpo, princípio intermediário entre a matéria e o Espírito. (...) O laço ou perispírito, que prende ao corpo o Espírito, é uma espécie de envoltório semimaterial. A morte é a destruição do invólucro mais grosseiro. O Espírito conserva o segundo, que lhe constitui um corpo etéreo, invisível para nós no estado normal, porém que pode tornar-se acidentalmente visível e mesmo tangível, como sucede no fenômeno das aparições. (2) O Espírito não é, pois, um ser abstrato, indefinido, só possível de conceber-se pelo pensamento. É um ser real, circunscrito, que, em certos casos, se torna apreciável pela vista, pelo ouvido e pelo tato.
·         Os espíritos pertencem a diferentes classes e não são iguais, nem em poder, nem em inteligência, nem em saber, nem em moralidade.
1.     Os da primeira ordem são os Espíritos superiores que se distinguem dos outros pela sua perfeição, seus conhecimentos, sua proximidade de Deus, pela pureza de seus sentimentos e por seu amor do bem: são os anjos ou puros Espíritos.
2.    Os das outras classes se acham cada vez mais distanciados dessa perfeição, mostrando-se os das categorias inferiores, na sua maioria, eivados (contaminado) das nossas paixões: o ódio, a inveja, o ciúme, o orgulho, etc. (3).
3.    Os Espíritos não ocupam perpetuamente a mesma categoria. Todos se melhoram passando pelos diferentes graus de hierarquia espírita. Esta melhora se efetua por meio da encarnação, que é imposta a uns como expiação, a outros como missão. A vida material é uma prova que Ihes cumpre sofrer repetidamente, até que hajam atingido a absoluta perfeição moral. (3)
Deixando o corpo, a alma volve (volta) ao mundo dos Espíritos, donde saíra, para passar por nova existência material, após um lapso de tempo mais ou menos longo, durante o qual permanece em estado de Espírito errante (não encarnados) (3).
Tendo o Espírito que passar por muitas encarnações, segue-se que todos nós temos tido muitas existências e que teremos ainda outras, mais ou menos aperfeiçoadas, quer na Terra, quer em outros mundos. (4)
A encarnação dos Espíritos se dá sempre na espécie humana; seria erro acreditar-se que a alma ou Espírito possa encarnar no corpo de um animal. (4)
As diferentes existências corpóreas do Espírito são sempre progressivas e nunca regressivas; mas, a rapidez do seu progresso depende dos esforços que faça para chegar à perfeição. (...) Os Espíritos encarnados habitam os diferentes globos do Universo. Os não encarnados ou errantes não ocupam uma região determinada e circunscrita; estão por toda parte no espaço e ao nosso lado, vendo-nos e acotovelando-nos de contínuo. É toda uma população invisível, a mover-se em torno de nós. (4)
Os Espíritos exercem incessante ação sobre o mundo moral e mesmo sobre o mundo físico. Atuam sobre a matéria e sobre o pensamento e constituem uma das potências da Natureza, causa eficiente de uma multidão de fenômenos até então inexplicados (não explicável; obscuro) ou mal explicados e que não encontram explicação racional senão no Espiritismo. (4)
As relações dos Espíritos com os homens são constantes.
Os bons Espíritos nos atraem para o bem, nos sustentam nas provas da vida e nos ajudam a suporta-Ias com coragem e resignação.
Os maus nos impelem (mover) para o mal; é-Ihes um gozo ver-nos sucumbir e assemelhar-nos a eles. (5)
As comunicações dos Espíritos com os homens são ocultas ou ostensivas.
As ocultas se verificam pela influência boa ou má que exercem sobre nós, à nossa revelia. Cabe ao nosso juízo discernir as boas das más inspirações. (...)
Os Espíritos se manifestam espontaneamente ou mediante evocação. (...)
Os Espíritos são atraídos na razão da simpatia que Ihes inspire a natureza moral do meio que os evoca. Os Espíritos Superiores se comprazem nas reuniões sérias, onde predominam o amor do bem e o desejo sincero, por parte dos que as compõem, de se instruírem e melhorarem. A presença deles afasta os Espíritos inferiores que, inversamente, encontram livre acesso e podem obrar com toda a liberdade entre pessoas frívolas ou impelidas unicamente pela curiosidade e onde quer que existam maus instintos. (6)
Distinguir os bons dos maus Espíritos é extremamente fácil.
·         Os Espíritos superiores usam constantemente de linguagem digna, nobre, repassada da mais alta moralidade (...).
·         A dos Espíritos inferiores, ao contrário, é inconseqüente, amiúde, trivial e até grosseira. (6)
 A moral dos Espíritos superiores se resume, como a do Cristo, nesta máxima evangélica: Fazer aos outros o que quereríamos que os outros nos fizessem, isto é, fazer o bem e não o mal. Neste princípio encontra o homem uma regra universal de proceder, mesmo para as suas menores ações. (...) Ensinam [os Espíritos Superiores] (...) que, no mundo dos Espíritos, nada podendo estar oculto, o hipócrita será desmascarado e patenteadas (tornar claro, evidente) todas as suas torpezas (desonestidade, desvergonha), que a presença inevitável, e de todos os instantes, daqueles para com quem houvermos procedido mal constitui um dos castigos que nos estão reservados; que ao estado de inferioridade e superioridade dos Espíritos correspondem penas e gozos desconhecidos na Terra.
Mas, ensinam também não haver faltas irremissíveis (que não se pode remitir ou perdoar) que a expiação (remir a culpa, sofrer as conseqüências) não possa apagar. Meio de consegui-lo encontra o homem nas diferentes existências que lhe permitem avançar, conformemente aos seus desejos e esforços, na senda (caminho estreito) do progresso, para a perfeição, que é o seu destino final. (7)
Eis, assim, os pontos principais da Doutrina Espírita, que serão desenvolvidos no transcorrer deste Curso.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
1. KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. 83. ed. Rio de Janeiro: EFB, 200. Introdução, item, IV, p. 23
2. p. 23-24.
3. p. 24.
4. p. 25.
5. p. 25-26.
6. p. 26.
7. p. 27.

GLOSSÁRIO
(Dicionário de termos técnicos, científicos, poéticos, vocabulário que figura como apêndice a uma obra, principalmente para elucidação de palavras e expressões regionais ou pouco usadas. Baseado no Dicionário Aurélio Eletrônico)

EIVADOS: Produzir mancha em. Contaminar, infectar (física ou moralmente). Defeito físico ou moral. 
BOM: Do lat. bonu. Benévolo, bondoso, benigno.  Misericordioso, caritativo. Rigoroso no cumprimento de suas obrigações. Que alcançou alto grau de proficiência; eficiente, competente, hábil. Digno de crédito. Perfeito, completo.
DEUS: Do lat. deus. Princípio supremo considerado pelas religiões como superior à natureza. Ser infinito, perfeito, criador do Universo.  Nas religiões politeístas, divindade de personificação masculina, superior aos homens, e à qual se atribui influência especial, benéfica ou maléfica, nos destinos do Universo. Sentido Figurado: Objeto de um culto ou de um desejo ardente, que se antepõe a todos os demais desejos ou afetos. Sentido filosófico:  Princípio supremo de explicação da existência, da ordem e da razão universais, e garantia dos valores morais. 
ENCARNAÇÃO: Do lat. incarnatione. Cada uma das existências do espírito materializado, segundo a crença espiritista. Em algumas religiões: Mistério pelo qual Deus se fez homem.
ETERNO: Do lat. aeternu. Que não tem princípio nem fim; que sempre existiu e existirá. Que não tem fim; constante, incessante. Imutável, inalterável. De duração indefinida: Deus.
 Homem virtuoso (disposições constantes do espírito, as quais, por um esforço da vontade, inclinam à prática do bem).
IMATERIAL: Do lat. immateriale. Que não tem a natureza da matéria; não material; impalpável (tocar com a mão para conhecer pelo tato).
IMUTÁVEL: Do lat. immutabile. Não sujeito a mudança; imudável.
ONIPOTENTE: Do lat. omnipotente. Que pode tudo; que tem poder absoluto; todo-poderoso.   Deus.
SEMIMATERIAL: Que é material apenas em parte; quase material. [De SEMI (metade, meio, um de dois, um tanto) + MATERIAL (corporalidade, carnalidade, pertencente ou relativo a matéria, não espiritual)
SOBERANAMENTE JUSTO: [SOBERANO: que está de cima. Que detém poder ou autoridade suprema, sem restrição nem neutralização. Supremo, absoluto. Indivíduo ou ser moral que exerce o poder soberano; imperante.] [JUSTO: Conforme à justiça, à eqüidade, à razão. Imparcial, reto; íntegro. Exato, preciso. Legítimo, fundado.
ÚNICO: Do lat. unicu.            Que é só um. Exclusivo; excepcional. Superior a todos os demais. Sentido filosófico: Diz-se de ser com quem nenhum outro se identifica. 

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